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Queda de produção de gás boliviano impõe desafios ao Brasil

Escoamento do pré-sal brasileiro e gás argentino podem ser a solução para suprimento da região Sul do Brasil


Principal fornecedor brasileiro (25% do abastecimento atualmente), desde 1970 a Bolívia aumentava sua produção de gás natural em cada ciclo decenal. O maior crescimento aconteceu na primeira década dos anos 2000, quando a produção avançou mais de três vezes em relação ao período anterior. Na década de 1980 o crescimento foi de 92% e na de 2010, 88%. O menor crescimento (4,3%) foi registrado na década de 1990 quando a prospeção foi intensificada.


Nos anos de 2020 e 2021, os primeiros sinais de queda na produção apareceram. Mantendo a média desses dois anos, o que seria uma visão otimista na conjuntura atual, a redução da produção seria de pouco mais de 15% já em 2023. Contudo, algumas consultorias apontam que, até 2030, a produção do gás boliviano sairá de 40 milhões de m³/dia, volume registrado em 2022, para pouco mais de 10 milhões, em 2030.


Em 2022, a principal supridora do mercado brasileiro (Petrobras) teve reduzido seu volume de compra em 25%, quando a Bolívia passou a enviar à Argentina volumes do insumo com contratos considerados mais vantajosos. No balanço de 2020, o gás importado representou 32,84% da oferta total ao mercado brasileiro, sendo que o gás trazido da Bolívia pelo Gasbol era 71,49% da importação total e o GNL 28,5%.


A diminuição da importação do gás boliviano está associada também à diminuição da exploração naquele país, em razão do esgotamento de campos produtivos disponíveis e a estagnação na prospecção. A última reserva descoberta na Bolívia foi na primeira parte dos anos 2000, em razão da ausência do incentivo ao setor de O&G, embora afirma-se que existem reservas provadas e prováveis que poderiam ampliar a oferta.


Pela importância do gás boliviano na sua composição de consumo especialmente na região Sul, o Brasil deverá buscar opções de suprimento também junto à Argentina considerando o crescimento da produção no campo de Vaca Muerta. Essa realidade poderia contar com a retomada da operação com gás da térmica de Uruguaiana/RS, o que exigiria investimentos para integração do sistema via gasodutos de transporte.


Sem projetar aumento da exploração e produção de novos campos na Bolívia e diante de um cenário de oferta de GNL com baixo volume e baixa competitividade, o escoamento do potencial de gás do Pré-Sal seria a melhor solução para o Brasil, o que também exigiria novas infraestruturas. Com isso, se formaria oportunidade para buscar a nacionalização ou desdolarização do preço do gás, desafio antigo do país.

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