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SC: Consumo de gás natural fecha 2023 com queda de 18%

Atualizado: 6 de fev.

Resultado de vendas da SCGÁS é pior dos últimos 15 anos, revela mudança de patamar do produto no mercado catarinense e reposicionamento da prioridade de atendimento que migra da indústria para o mercado do varejo


Em 2020, a pandemia da Covid-19 impôs ao gás natural catarinense uma queda de consumo no ano de -6,69%. Esse resultado esteve associado às paradas das indústrias nos primeiros períodos de lockdown e, principalmente, pela diminuição da atividade comercial que afetou o consumo de Gás Natural Veicular (GNV), que até então apoiava seu crescimento na economia informal através da mobilidade por aplicativos.


Contudo, já em 2021, quando o ramo cerâmico aumentou sua produção, segundo o próprio setor marcado pelas reformas de residências e alteração na dinâmica de trabalho com a adaptação e migração de espaços para regimes home office que fomentaram a indústria da construção civil, o consumo reagiu crescendo 11,83% em relação a 2019.


No período de 2019 a 2022, o gás natural catarinense que entregou ampla competitividade na relação como os demais estados, em especial de 2011 a 2018, passou por mudanças na realidade de suprimento que viriam a afetar os preços e colocaram o estado no patamar das tarifas mais caras do país.


Segundo especialistas do setor consultados pela Vision Gas a principal causa que levou aos preços subirem muito acima da inflação, com ágio acima de 240% a partir de 2019, foi a adesão à nova política de preços praticada pela Petrobras em uma falsa abertura de mercado no suprimento, especialmente para a realidade da região Sul do país que é dependente do Gasbol.


Santa Catarina operava com o antigo contrato TCQ (Transportation Capacity Quantity), assinado em 1995 com a Petrobras e que passou por alguns aditivos, especialmente na alteração de volumes. Nessa realidade ofertava competitividade em razão do modelo produtivo e exploração do gás na Bolívia. O energético no país vizinho ao Brasil possui índices de poder calorífico maiores do que o gás nacional.


"O erro na estratégia da SCGÁS foi ter acreditado na imediata abertura do mercado e apostado em contratos de suprimento de curto prazo, o que levou a ter condições de compra piores sem diversificar as fontes supridoras", afirma um engenheiro aposentado da Petrobras.


O resultado desse movimento mostrou o primeiro sinal mais forte em 2022 com uma queda de consumo de -10,85%, comparando com 2021. O que se consolida no ano de 2023 com a retirada de gás natural atingindo os piores volumes em 15 anos no estado, chegando a -18,14% do que o realizado no ano anterior.


O setor mais afetado foi o GNV que consumiu -35,62% do que em 2022. As indústrias, que representaram 86,75% do total comercializado em 2023 somando todos segmentos atendidos, tiveram um resultado de -15,61% em um ano de crescimento do PIB nacional e catarinense próximo de 3%.


Responsáveis por apenas 1,15% do consumo total, novos focos de atuação da concessão do serviço público estadual, os mercado residencial e comercial cresceram 10,99% e 13,46%, respectivamente. No ano de 2023 as redes de gás natural passaram a atender 11 novas indústrias, apenas um novo posto de GNV, 16 estabelecimentos comerciais e 63 condomínios residenciais. Somam agora 525 pontos de atendimento residencial, 356 industriais, 346 comerciais e 140 postos de GNV, totalizando 1.367 clientes.


Para alterar o quadro de queda nas vendas, o atual presidente da distribuidora estadual e ex-industrial da Eliane, engenheiro Otmar Müller, aposta na aplicação do gás natural em veículos de cargas (frotas pesadas) e que a demanda reprimida dos setores que abastecem a construção civil, verificada em 2023, se reverta.


Além disso, sinaliza que os efeitos de novos contratos de suprimento, com vigências em 2024 e 2026, segundo o dirigente incluindo ainda indexações que serão menores em relação ao petróleo do que os contratos anteriores, possam diminuir a diferença de preços praticados em Santa Catarina na relação com os demais estados subnacionais ajudando a evitar a migração de indústrias instaladas no espaço catarinense para outros territórios.


Embora o gás natural tenha sofrido duas quedas nos preços médios das tarifas aplicadas ao mercado, de -10,8% em julho de 2023 e -8,29% em janeiro de 2024, o movimento ainda não foi suficiente para estancar o vale no consumo e a alteração na posição no ranking de competitividade regional, pois os demais estados também vem se beneficiando pela queda sazonal na dinâmica de preços das commodities. Além disso, esses dois movimentos estão longe de compensar o forte aumento registrado a partir de 2019, amarga herança que mercado de consumo catarinense irá carregar por longos períodos.

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